Contos do Efémero, de Rui de Sousa Basto, dia 20 na Unicepe

Contos do Efémero, de Rui de Sousa Basto, dia 20 na UnicepeComo sintetizar “[o vinho de Tormes] caindo do alto, da bojuda infusa verde – um vinho fresco, esperto, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo”, do nosso Eça, ou “O amor, razão primordial de tudo, alegria do mundo, encanto da obra de arte, força da natureza, divindade munífica que dotou o grilo com a caixinha de música que lhe vemos nas costas e a borboleta com o motor subtil com que voa da couve-galega para uma rosa (…)” do nosso Aquilino [que vamos homenagear no dia 27]?

Foi o que pensei, ao ler o último dos “Contos do Efémero”, que o nosso Associado Rui de Sousa Basto nos virá apresentar na próxima segunda-feira, 2013-05-20, pelas 18h30:

O Editor

O Editor recusou a publicação de uma obra que um autor desconhecido lhe apresentou, argumentando que um romance de mil páginas teria poucos leitores. O autor reduziu o volume para uma novela de cem páginas mas o editor aconselhou-o a cortar um pouco mais porque isso beneficiaria as vendas. O autor abreviou o trabalho para um conto de dez páginas e o editor elogiou-lhe o raro talento para a síntese, mas informou-o de que a edição do livro teria de ser adiada para uma data mais propícia à procura de mercado. O autor condensou o texto numa única frase e escreveu-a na lápide da campa onde enterrou o editor.

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