Destaques da INCM: Teatro. Textos publicados e inéditos. Alves Redol

Destaques da INCM: Teatro. Textos publicados e inéditos. Alves Redol

Este volume, dedicado à criação dramática de Alves Redol (1911-1969), reúne, pela primeira vez, as suas quatro peças publicadas (Maria Emília — 1945, 1966; Forja — 1948, 1966; O Destino Morreu de Repente — 1967, e Fronteira Fechada — 1972), algumas das quais têm sido representadas com regularidade, a que acresce a apresentação de seis inéditos encontrados no espólio do escritor e em acervos documentais. Destes inéditos, três chegaram a ter montagens cénicas na década de 50, acompanhadas pelo próprio dramaturgo, e um foi expressamente fixado para esta colectânea, a partir de partes dispersas no mesmo núcleo do espólio. Numa parte autónoma desta obra, são também incluídos os prefácios, da autoria do dramaturgo, que integraram as edições (ou reedições) das suas peças, a partir dos anos 60.

Alves Redol é autor de uma vasta obra publicada, que privilegia o romance e a novela, mas também o estudo etnográfico e o ensaio. É considerado um dos expoentes do Neo-Realismo português, movimento político-cultural que emergiu em meados da década de 30 do século xx, ideologicamente influenciado por pensadores da esfera marxista e socialmente empenhado no combate à ditadura salazarista. Apesar do fechamento cultural e dos constrangimentos censórios que caracterizavam o País, internamente e na sua relação com o exterior, o teatro — escrito e representado — foi desde cedo entendido como uma das vias de questionamento e de estímulo a uma mundividência assente nos valores da democracia e da libertação do homem.

O teatro de Alves Redol, revelador de uma personalidade intelectualmente comprometida com o «novo humanismo» e inconformada com determinismos formais, não se cingiu à matriz naturalista nem se vinculou ao Realismo Socialista, a que mais comummente é referido. O seu teatro evidencia, antes, o profundo conhecimento e a — tardiamente assumida — influência de alguns dos mais relevantes criadores e vanguardas do teatro universal, capazes de surpreender quem ainda julga que a ficção neo-realista e a criação dramática redoliana, em particular, se confinam ao imediatismo da «mensagem».

 

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