O Encontro de Escritores Portuenses da Unicepe homenageia Ramalho Ortigão

Quarta-feira, dia 25, das 21h30 às 23h: Encontro de Escritores Portuenses; desta vez homenageamos Ramalho Ortigão.

Se desejar e puder, prepare texto(s) do Autor para ler. A entremear, teremos temas tradicionais dos Açores, com guitarra barroca por João da Silva e Agostinho da Silva. (Anexamos 2 fotos e breve descrição). Por curiosidade, faz amanhã 142 anos que Ramalho Ortigão / Eça de Queirós, escreveram uma “Carta ao Sr. Redator do Diário de Notícias”, de que transcrevemos parte, no fim deste e-mail, como “aperitivo” para quarta-feira.

“Julho, 24 de 1870. – Acabo de ver a carta que lhe dirigi publicada integralmente por V. no lugar destinado ao folhetim do seu periódico. Em vista da colocação dada ao meu escrito procurarei nas cartas que houver de lhe dirigir não ultrapassar os limites demarcados a esta secção do jornal.

Por esquecimento não datei a carta antecedente, ficando assim duvidoso qual o dia em que fomos surpreendidos na estrada de Sintra. Foi Quarta-feira, 20 do corrente mês de Julho.

Passo de pronto a contar-lhe o que se passou no trem, especificando minuciosamente todos os pormenores e tentando reconstruir o diálogo que travámos, tanto quanto me seja possível, com as mesmas palavras que nele se empregaram.

A carruagem partiu na direcção de Sintra. Presumo, porém, que deu na estrada algumas voltas, muito largas e bem dadas por que se não pressentiram pela intercadência da velocidade no passo dos cavalos. Levaram-me a supô-lo, em primeiro lugar as diferenças de declive no nível do terreno, conquanto estivéssemos rodando sempre em uma estrada macadamizada e lisa; em segundo lugar umas leves alterações na quantidade de luz que havia dentro do coupé coada de seda verde, o que me indicava que o trem passava por encontradas exposições com relação ao Sol que se escondia no horizonte.

Havia, evidentemente, o desígnio de nos desorientar no rumo definitivo que tomássemos.

É certo que, dois minutos depois de termos principiado a andar, me seria absolutamente impossível decidir se ia de Lisboa para Sintra ou se vinha de Sintra para Lisboa.

Na carruagem havia uma claridade baça e ténue, que todavia nos permitia distinguir os objectos. Pude ver as horas no meu relógio. Eram sete e um quarto.

O desconhecido que ia defronte de mim examinou também as horas… (…)”

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