Manuel Poppe, escritor, cronista, Conselheiro cultural junto da embaixada portuguesa em Roma e em S. Tomé, sobre o Bairro dos Livros

 

“Bairro dos livros é uma iniciativa preciosa.

Congregar mais de três dezenas de livrarias –e não vou distinguir entre aquelas que vendem livros novos e aquelas que vendem livros usados porque todas trabalham no campo sagrado da Arte-, reunir esforços, no centro de uma cidade com a tradição cultural secular, a cidade de Camilo, de Raúl brandão, de Eugénio de Andrade, de Agustina…, de tantos outros, representa um acontecimento importantíssimo.

E especialmente relevante quando o nosso país entrou em letargo; quando o nosso país se vai esvaziando e desertificando; quando uma vaga desesperada de capitalismo financeiro nos rouba o Espírito e nos transforma em objectos, em carne de canhão, em novos escravos da grande máquina plutocrata; quando a Cultura é vista como inútil e perigosa, e perseguida por esse movimento que dispensa a sabedoria e preza a ignorância resignada.

Simone de Beauvoir denunciou um crime sem perdão: “a degradação do homem em coisa”.

Bairro dos Livros: eis uma arma inestimável e capaz de barrar a estrada àqueles que insistem no chupar o cérebro do português, com uma palhinha, imagem tragicamente verdadeira, inventada por José Gomes Ferreira, no seu corajoso (eram os anos da peste, do salazarismo…) “Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo”.

Contra a degradação do homem em coisa…”

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